Entre mãos e obras

Um trocadilho com a expressão “mãos a obra” que surgiu no seu processo de transição da construção com o cimento para a construção com outros tipos de materiais.

Arquiteta e designer de formação, Mari Dabbur constrói sua trajetória com grande influência do trabalho manual.

Apesar de ter aprendido muito cedo a técnica do crochê, Mari nunca soube fazer uma peça de roupa, mas fazia formas. Nunca soube fazer pontos elaborados, mas gostava de perceber como a simples mudança de material poderia ter efeitos completamente diferentes. Nunca foi perfeita no acabamento, mas sabia estruturar suas ideias. Foi com este olhar e curiosidade sobre a experimentação que Mari Dabbur deixou os escritórios de arquitetura, projetos executivos e acompanhamento de obra para se dedicar a pesquisa sobre artesãos, artistas e tradições, explorar a interação de técnicas e materializar suas percepções transformando-as em móveis, objetos e instalações ricos em beleza estética e simbologias.

Dona de uma mente criativa, inquieta e avessa à repetição, é uma profissional orgânica e feminina, que interage e reverencia o conhecimento do outro, estrutura novas ideias desafiando a mesmice e a falta de significado. “Não é possível descrever com detalhes um processo criativo, é muito pessoal, mas é possível determinar princípios que regem a construção da ideia. Um dos princípios para o meu pensamento criativo é que pequenas alterações resultam em grandes mudanças.”

“Eu procuro a beleza que está na sutileza das coisas. É preciso os olhos do coração para enxergá-la. Não pode ser vista por lentes moldadas por padrões estéticos. Pode estar nos lugares mais inesperados, ela não é obvia e por isso é tão preciosa. Esta é a minha inspiração.”